Durante um longo papo com minha amiga Lud sobre política, percebi que muita gente (e quando eu digo muita, quero dizer cerca de 80% da população brasileira) não sabe o que é política e atribui isso a tudo o que tiver a ver com eleições e partidos políticos. Ok, isso também é política, mas com isso, esquecemos a essência fundamental disso tudo: Os estudos das relações humanas desde os seus primórdios.
Tudo bem que os estudos das ciências sociais só começaram a partir do início do século XIX, mas a política existe há muitos anos e até na Grécia Antiga já se fazia política.
Ao contrário do que muita gente pensa, a política é um sistema de estudo e vínculo de todas as relações que temos e em suma das relações humanas.
Aquele boyzinho do 3o ano do colégio que se promove para ser o mais popular entre as meninas - isso é política. Aquela barganha na feira quando você vai fazer as compras da semana, pesquisando qual banca tem o vegetal mais fresquinho e barato - isso é política. Aquela discussão de que o cachorro do vizinho atrapalha você à noite e que o seu condomínio deve adotar regras de convivência entre os moradores - isso também é política.
Isso porque eu estou tentando ser concisa e falar por alto, para que não fique um texto longo e cansativo.
Não estou aqui para defender a esquerda nem muito menos a direita. Mas queria deixar claro que aquela visão de que qualquer político esquerdista quando chega ao poder se torna um representante da direita é um clássico exemplo de uma opinião rasa e superficial da típica pessoa que junta um apanhado de manchetes da revista Veja para formular alguma opinião sobre determinado assunto que não tem o mínimo de conhecimento.
Há de se concordar que muitos esquerdistas ao alcançarem o poder adotaram uma política contrária à qual propunham, mas com isso não podemos rotular como padrão histórico mundial. Há diferentes comportamentos de acordo com o meio em que se vive e de acordo com a interação dos atores que fazem parte desse meio.
Já quando o assunto é a essência humana, podemos dizer friamente que ela é egoísta. Todos já nascemos pensando em nós mesmos e na nossa própria sobrevivência e, isso também se reflete na política. O extinto humano - aliás, de todo ser vivo - é essencialmente o de luta entre seus semelhantes. Como já dizia Darwin, só os mais fortes sobrevivem ao meio e às disputas proporcionadas a estes. Aquele papinho de vamos amai-vos uns aos outros como irmãos, muitas vezes não funciona na prática, já que a maioria de nós já descobriu que somos egoístas por natureza e essência. Porém, não deixe que essa perspectiva te alinhe aos demais egoístas. Sempre há tempo de fazer diferente e pensar, sobretudo entender, a dor do próximo. A empatia, pouco usada dentro de nossa sociedade, merece um espaço maior em nosso dia-a-dia. Merece um destaque cada vez maior, uma posição consolidada somente dela, onde a faça brilhar e ser um dos sentimentos mais frequentes dentro de nós.
A fuga ao tema faz-se necessária quando o autor tem algum desabafo preso à garganta, perdoe essa que vos escreve.
Em suma, o que eu precisava escrever e ressaltar sobre política, é que venho percebendo que muita gente tem uma visão muito simples e pré-conceituosa sobre a política, algo tão fundamental em nossas vidas. Algo que está conosco no nosso dia-a-dia e muita gente nem se dá conta.
A melhor parte do assunto Política é, ainda, sem dúvida a parte acadêmica, suas origens e grandes debates filosóficos a respeito. Nesse campo, podemos encontrar gigantes como Kant, Wendt e Keohane nos presenteando com obras incríveis e nos fazendo pensar sobre qual teoria se aplica à ordem mundial e qual explicaria melhor o meio em que vivemos. Esse tipo de arquivo acadêmico acredito que pouca gente tenha conhecimento e acesso, mas não custa nada ressaltar que os grandes debates da política não está no Jornal Nacional em épocas de eleições mas, sim, dentro de livros maravilhosos sobre a complexidade das ciências sociais as quais fazemos parte.
O intuito desse texto é despertar no mínimo, uma pequena curiosidade a respeito para que possamos difundir um assunto tão relevante. O pouco que a curiosidade pode trazer já é o bastante para dar início à uma grande jornada de leitura acerca do assunto.
Que seja uma excelente e leve jornada!
Obrigada, Twin.
ResponderExcluirDiminuiu um pouco a minha ignorância.
Você escreve muito bem.
Vou adorar ler mais sobre esse assunto.
Beijos